sábado, 26 de maio de 2018

BRASIL ― ALGUMA COISA ESTÁ MUITO ERRADA




Em meio à paralisação dos caminhoneiros, professores do ensino básico de 34 escolas da rede particular da cidade de São Paulo suspenderam as aulas na última quarta-feira (23), em protesto contra a redução do recesso de final de ano, o cancelamento do direito a bolsas de estudo para filhos e uma série de outros benefícios. Não vou entrar no mérito, mas apenas ponderar que se o objetivo era pressionar o sindicato patronal ou os estabelecimentos de ensino, a estratégia não funcionou. Seja porque a paralisação prejudicou apenas os alunos ― e, indiretamente, seus pais, que pagam caras mensalidades para que as crianças tenham aulas ―, seja por não ter sensibilizado a população em geral, que anda de saco cheio dessas coisas. E não sem razão.

Mesmo após colocar o governo de quatro, os representantes dos caminhoneiros ficaram de “discutir se aceitavam ou não a proposta”. Nesse entretempo, a absurda paralisação segue causando inestimáveis prejuízos, sobretudo ao impedir produtos perecíveis de chegar ao destino, remédios a hospitais e farmácias e combustíveis aos postos. Ainda que esse imbróglio termine neste final de semana, levará dias até que o abastecimento, o transporte e as demais rotinas voltem ao normal no país. 

Claro que as consequências seriam menos dramáticas se quem queria trabalhar não tivesse sido impedido pelos bloqueios em estradas, marginais, portos e outros pontos estratégicos, mas até aí morreu o Neves. Fato é que, além do prejuízo bilionário aos contribuintes, o único resultado palpável do acordo firmado na última quinta-feira foi expor a fragilidade de um governo mambembe, que mal se sustenta nas pernas: o “day after” amanheceu sob o comando da greve, alimentando o temor de que a situação se agravasse se o presidente e o Planalto precisasse ceder ainda mais. Só que Temer já deu os anéis; agora, só lhe restam os dedos.

Salta aos olhos a falta de entrosamento entre os presidentes da República, do Senado e da Câmara. Temer ignorou a crise e se escafedeu para o Rio ― a pretexto de comparecer a uma cerimônia qualquer ―, depois de encarregar o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, das negociações com os caminhoneiros. Eunício Oliveira deixou Brasília na tarde da quinta-feira e só voltou porque sua viagem pegou mal ― e a mídia caiu de pau. Rodrigo Maia tentou capitalizar, mas mostrou que não é bom de conta ao aprovar uma desoneração que geraria um rombo de R$ 10 bilhões. E a Abin, por sua vez, só se apercebeu das dimensões da greve quando era tarde demais. 

Ontem, como solução in extremis, Temer decidiu recorrer às Forças Armadas para desobstruir as estradas ― e convenhamos: já estava mais que na hora. A medida parece ter surtido efeito, embora alguns bloqueios persistam teimosamente, na manhã deste sábado, em diversas rodoviária do país. Aguarda-se uma coletiva de imprensa para logo depois da reunião desta manhã, no Palácio do Planalto (como foi dito na coletiva de ontem, serão duas reuniões diárias para avaliar a situação do movimento; uma logo pela manhã e outra no final da tarde).

Observação: Se alguém tem algo a comemorar, esse alguém é o ex-presidente Lula. Inconformado com o fato de sua vassala Gleisi Hoffmann ― a quem escolheu para substituir Ruy Falcão na presidência nacional do PT ― não ter conseguido “parar o Brasil” em protesto contra sua prisão, agora lhe serve de consolo o fato de os caminhoneiros terem obtido sucesso, mesmo que os motivos do protesto sejam bem outros.

Vale lembrar que greve é como sexo: quando se obriga alguém a fazer, é porque alguma coisa está errada.

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sexta-feira, 25 de maio de 2018

GREVE DOS CAMINHONEIROS ― AINDA SOBRE O LOCKOUT QUE PAROU O PAÍS





Em troca do fim da paralisação, o governo ofereceu aos caminhoneiros um desconto de 10% sobre o preço do diesel, prometeu mantê-lo por 30 dias e renová-lo sucessivamente ― um acordo vantajoso para a Petrobras, que só na última quinta-feira perdeu R$ 47 bilhões em valor de mercado na Bolsa, mas péssimo para as contas públicas. Todavia, ainda é grande o número de caminhoneiros paralisados nesta sexta-feira, quinto dia consecutivo da greve, em pelo menos 24 estados e no Distrito Federal.

Paralelamente, aumenta o número de farmácias sem remédios e de postos sem combustíveis e mercados desabastecidos. Isso para não mencionar os inevitáveis atrasos na entrega da correspondência, a ameaça de falta d’água no Rio e a suspensão do rodízio e da coleta de lixo em São Paulo. E mais: o movimento deu asas a oportunismos de todos os tipos: donos de postos achacaram motoristas em pânico, a turminha do “quanto pior, melhor” festejou o caos e a direita atávica voltou a pedir “intervenção militar”.

Em nota, o Comandante-geral do Exército aventou o possível uso de força para desbloquear rodovias em todo o Brasil, mas o Comandante do Exército de São Paulo assegurou que que nenhuma intervenção será feita sem a ordem vinda de Brasília ― até porque não dispõe de contingente suficiente para atuar diante da situação. De acordo com o ministro Raul Jungmann, a Força Nacional poderá ser convocada atuar na reorganização do tráfego de veículos, mas isso só deve acontecer se os caminhoneiros não cumprirem sua parte no acordo (a Polícia Rodoviária Federal já vem sendo mobilizada para ajudar a levar combustível até os aeroportos brasileiros).

Essa crise não foi deflagrada por uma simples greve cujas reivindicações podem até ser justas, conquanto a irredutibilidade dos caminhoneiros venha infernizando a vida da população. Salta aos olhos que houve participação explícita de grandes empresários de transportes, e greve apoiada por patrões não é greve, é lockout ― e pode ter outras finalidades, tais como desestabilizar governos e tumultuar eleições.

Com a irresponsabilidade de sempre, os senadores anteciparam seu retorno “às bases”, temendo não conseguirem voos para a folga do final de semana. Os deputados, por sua vez, ignoraram um erro crasso de cálculo ao votar a redução de impostos sobre combustíveis. O Executivo, por seu turno, aumentou sua lista de trapalhadas: com as rodovias em polvorosa, Temer viajou para participar de uma cerimônia de entrega de automóveis e, do palanque, disse que o “fato mais importante do dia” era a sua presença na solenidade

Sem força política para peitar os responsáveis pelo lockout, o presidente autorizou seus asseclas a ceder à chantagem e torrar mais dinheiro público em forma de subsídios, tudo em nome de uma trégua de 15 dias que ninguém sabe se será cumprida. Enquanto isso, os brasileiros assistem apreensivos ao desenrolar dos acontecimentos.

Em casa onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão.

ATUALIZAÇÃO

A despeito do acordo firmado entre o governo e os caminhoneiros ― que vai custar caro para os cofres públicos ― a situação continua caótica. São 4,9 bilhões de reais até o final do ano, além dos 2 bilhões comprometidos em zerar a alíquota da Cide e dos estimados 12 bilhões com a retirada dos PIS/COFINS, que tramita no Congresso.

A União Nacional dos Caminhoneiros e o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas não assinaram o acordo, e afirmam que a paralisação prosseguirá até o Senado votar projeto de lei que altera a política de preços para o transporte rodoviário. A Associação Brasileira dos Caminhoneiros tampouco assinou o acordo, e diz que só encerra a greve quando as medidas anunciadas forem publicadas no DCU. A Confederação Nacional dos Transportes ainda vai decidir se a oferta é suficiente.

No fim das contas, foi mais uma mostra de como grupos de interesse, patronais ou não, conseguem impor suas agendas ao país, passando por cima dos interesses gerais da população. O governo é fraco; os caminhoneiros deitaram e rolaram. Só que, para deixar o campo de batalha, eles querem a isenção da cobrança do PIS/PASEP e da COFINS incidente sobre o diesel até o fim do ano. A matéria foi aprovada ontem pela Câmara; caso seja chancelada também pelo Senado, a isenção tributária terá de receber a sanção do presidente pato-manco.

ATUALIZAÇÃO (2). 

Dada a irredutibilidade dos caminhoneiros, o presidente Michel Temer anunciou há poucos minutos, em cadeia nacional, que vai convocar as Forças Federais de Segurança para liberar as estradas bloqueadas desde segunda-feira. A decisão foi tomada após uma reunião do Gabinete de Segurança Institucional no Palácio do Planalto com Temer e ministros do governo.

“Comunico que acionei as Forças Federais de Segurança para desbloquear as estradas e solicitei aos governadores que façam o mesmo”, disse ele. “Não vamos permitir que a população fique sem gêneros de primeira necessidade, que fiquem sem produtos, que hospitais fiquem insumos para salvar vidas nem que crianças sejam prejudicadas pelo fechamento das escolas.”

Estava mais que na hora.

Volto com mais detalhes quando eu os obtiver.

SOBRE A PARALISAÇÃO DOS CAMINHONEIROS.



A paralisação dos caminhoneiros entra hoje em seu quinto dia. Como sói acontecer sempre que determinadas categorias realizam protestos, quem toma na tarraqueta é o povo, embora a “pressão” devesse ser dirigida ao governo federal, aos responsáveis pelas estatais, aos sindicatos patronais e aos donos de escolas particulares ― refiro-me à paralisação dos professores, na última quarta-feira, que deixou os alunos sem aulas, a despeito das caras mensalidades pagas pelos pais ou responsáveis, enquanto os donos dos estabelecimentos de ensino, ao que parece, não estavam nem aí.

Como sempre, quem “arde” é a população, pois as consequências imediatas desse lockout são congestionamentos monstruosos nas rodovias e marginais, filas quilométricas em postos de combustível, ágio no preço do litro cobrado nas bombas, caos no transporte coletivo urbano, atrasos e cancelamentos de voos nos principais aeroportos do país, desabastecimento nos entrepostos de alimentos (notadamente hortifrutigranjeiros), elevação de até 600% no preço de produtos como como cebola, batata, cenoura etc. nas feiras, sacolões e supermercados, e por aí vai.

Para tentar acabar com as manifestações, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou na noite da última quarta-feira uma redução de 10% no preço do diesel nas refinarias, que seria mantida por 15 dias. Ele avalia que a medida resultará numa queda de 23 centavos no preço do litro nas refinarias e de 25 centavos para os consumidores, mas deixa claro que não produzirá efeitos sobre o preço da gasolina. Ainda segundo Parente, a petroleira não cedeu a pressões de movimentos sociais ou mesmo do governo federal, apenas reduziu temporariamente o preço do óleo como gesto de boa vontade, “para que o governo se entenda com os caminhoneiros”. Tá, me engana que eu gosto.

Os Correios ― que já foram considerados um “ponto fora da curva” na ineficiência das estatais tupiniquins, mas vêm prestando um serviço de merda de uns tempos a esta parte ― já suspenderam os serviços de postagem com dia e hora marcados (Sedex 10, 12 e Hoje) e avisaram que, enquanto perdurarem os efeitos dessa greve, haverá atraso nas entregas do Sedex do PAC e das correspondências em geral. Vai ser um festival de contas de consumo e boletos chegando após a data de vencimento, e o ônus (multas, juros de mora, etc.), como de costume, ficará a cargo do consumidor, que é “o último a falar e o primeiro a apanhar”.

A Câmara já aprovou a redução do PIS/COFINS sobre o diesel, mas falta o Senado votar a medida. Só que os senhores senadores debandaram para "suas bases" já na quinta-feira, insensíveis à situação caótica do país. Parece que Eunício Oliveira, que já havia embarcado para o Ceará, achou por bem voltar e marcar uma reunião de lideranças na noite de quinta-feira, mas até agora isso é tudo que eu sei (até porque estou escrevendo este texto no final da tarde da quinta-feira).

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros afirmou nesta quinta-feira que os protestos continuarão até que a isenção da alíquota PIS/COFINS seja publicada no Diário Oficial da União. Segundo ele disse entrevista à rádio BandNews, a redução de 10% na cotação do diesel, anunciada na noite de quarta-feira pela Petrobras, não resolve a situação.

Cabe a Michel-Pato-Manco-Temer, seus assessores e conspícuos congressistas tomarem uma atitude, e com máxima urgência, pois não é admissível deixar o país paralisado por conta de um lockout como esse. No Planalto, há quem acredite que o desabastecimento de alimentos e combustíveis levará o povo às ruas, como em 2013. O temor é que, com a pressão popular, o Congresso vire uma panela de pressão e a reeleição de aliados fique comprometida. Até o início da Copa, governistas querem passar ao largo da crise. Então, por que não fazem alguma coisa?

Triste Brasil.

Atualização:

Governo e representantes de caminhoneiros anunciaram na noite de ontem um acordo para suspender greve. Mesmo assim, protestos seguem em ao menos 7 dos 26 estados e no DF. O acesso ao porto de Santos continua bloqueado, e a cidade de São Paulo não tem rodízio nem coleta de lixo. Ainda que o movimento termine hoje, levará dias até que o abastecimento e as rotinas voltem ao normal, sem mencionar os danos irreparáveis, como alimentos jogados fora, animais mortos de inanição nas estradas e pacientes que ficaram sem remédios. A conta de quanto o país perdeu nos últimos dias ainda será feita. A única já computada é a da Petrobras, que, depois que cedeu à pressão e reduziu o preço do diesel, perdeu 45 bilhões de reais na bolsa, na última quinta-feira.

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SINTOMAS DE INFECÇÃO EM SMARTPHONES ― FINAL


VOCÊ SEMPRE ENCONTRA AQUILO QUE NÃO ESTÁ PROCURANDO.

Se você acompanhou esta sequência desde o início, pôs em prática as dicas que eu sugeri e ainda assim não resolveu o problema do seu smartphone (ou tablet, porque essas dicas se aplicam tanto a smartphones quanto a tablets com sistema Android), só resta chutar o pau da barraca, ou por outra, reverter o dispositivo às configurações originais.

Grosso modo, isso equivale a reinstalar o Windows no computador, o que não é nenhum bicho de sete cabeças. Aliás, no smartphone ou tablet o procedimento é ainda mais simples e rápido, ainda que demande a reconfiguração do sistema, a reinstalação dos apps que você adicionou e a recuperação de sua lista de contatos, músicas, fotos e o que mais você estava armazenado na memória interna do aparelho.

Observação: Simples e rápido não significa que o processo não leve tempo e dê trabalho, sem mencionar que pode ser quase impossível recuperar arquivos pessoais que não tenham sido alvo de um backup ― daí porque eu recomendo instalar um SD Card (cartão de memória) no telefoninho e direcionar para ele todos os seus arquivos pessoais. Além de a maioria dos smartphones suportar cartões de memória, eles custam menos que uma pizza e servem tanto para expandir a memória interna quanto para preservar seus arquivos pessoais durante uma eventual restauração do dispositivo às configurações de fábrica, além de serem uma mão na roda quando você for transferir seus arquivos para seu próximo telefone.

Para reverter seu dispositivo às configurações originais, faça o seguinte:

― Abra o menu Configurações;
― Role a tela até localizar a opção Fazer backup e redefinir;
― Clique em Restaurar dados de fábrica;
― Toque em Restaurar telefone e aguarde o processo ser concluído.

Torno a frisar que todos os dados do armazenamento interno do dispositivo serão apagados, como sua conta do Google, dados de aplicativos, músicas, fotos e outros arquivos, daí a importância de dispor de backups atualizados.

Para concluir:

― Infecções em smartphones (ou tablets) decorrem, na maioria das vezes, da instalação de apps contaminados. Resista à tentação de baixar programas fora da Google Play Store ― aliás, essa funcionalidade vem desabilitada por padrão, mas você pode conferir o status a partir do menu Configurações, na seção de Segurança (procure algum comando que permite habilitar/desabilitar a opção “fontes desconhecidas”).

― Fique atento às permissões solicitadas pelos apps durante a instalação. Um gravador de voz, por exemplo, não tem por que pedir autorização para acessar seus contatos.

 Jamais conceda permissões de administrador para um aplicativo, qualquer que seja ele, ou você terá dificuldades quando quiser desinstalá-lo (já vimos como resolver esse problema, mas mesmo assim...).  

― Mantenha seu Android atualizado ― se versões mais recentes do sistema não estiverem disponíveis para seu aparelho, verifique ao menos se todas as atualizações foram instaladas. E quando for comprar seu próximo smartphone (ou tablet), escolha uma marca que disponibilize updates periódicos do sistema.

― Desconfie de emails suspeitos e evite clicar em links enviados por programas mensageiros, como o onipresente WhatsApp. Clicar num link aparentemente inocente pode disparar a instalação de programinhas maliciosos. Depois não adianta chorar.

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quinta-feira, 24 de maio de 2018

A MENOS DE 5 MESES DAS ELEIÇÕES...



Após dois anos na presidência, Temer tem mais a lamentar do que a comemorar. Claro que o Brasil melhorou ― pior não poderia ficar, a menos que Dilmanta continuasse posando de chefa, e o PT, nos bastidores, roubando a mais não poder. Pena que a roubalheira continue, agora sob nova direção.

Mesmo com a Lava-Jato a todo vapor, nossos conspícuos políticos não tomam jeito. Parecem viver em outro mundo ― e talvez vivam mesmo, porque Brasília é a ilha da fantasia. Depois, quando são pegos com as calças na mão e a cueca manchada de batom, fazem cara de paisagem, juram inocência, dizem que foi tudo armação, perseguição, que confiam em Deus e na Justiça, e que a verdade prevalecerá. Acham que temos cara de palhaço ― e com Gilmar Mendes brincando de laxante universal, talvez eles não estejam errados.

Quase metade dos parlamentares (aí incluídos os membros da Câmara e do Senado) tem contas a acertar com a Justiça penal. E se a outra metade escapou até agora, é porque as investigações ainda não chegaram até ela. Se gritar “pega ladrão”, não fica um ― como dizia o finado Teori Zavascki [sobre corrupção], “a gente puxa uma pena e vem uma galinha”.

Seria uma benção se nosso esclarecido e politizado eleitorado aproveitasse as eleições de outubro para promover uma faxina em regra na Praça dos Três poderes, trocando de uma tacada só o chefe do executivo (e a camarilha que gravita em seu entrono), ¾ dos 81 senadores e todos os 513 deputados federais ― cá entre nós, talvez as eleições proporcionais, na atual conjuntura, sejam mais importantes do que a presidencial, mas vamos por partes.    

As propaladas semelhanças entre o pelito de outubro próximo e as eleições de 1989 não vão além do número elevado de postulantes à cadeira presidencial. Até porque desta vez é fundamental avaliar com cuidado se o candidato tem condições de ir até o final do mandato (dos 4 presidentes eleitos desde a redemocratização, 2 foram impichados).

Salta aos olhos que a maioria dos pré-candidatos, por razões que vão do temperamento à falta de estrutura política, correriam sério risco de não terminarem o mandato se eleitos fossem. Daí a importância aumentada das eleições proporcionais, porque caberá aos deputados e senadores dar ou não sustentação ao novo presidente ― e eventualmente apeá-lo do cargo.

O desafio é enorme, inversamente proporcional à dificuldade de encontrar candidatos sérios e preparados ― sobretudo para a Câmara, ainda que a “qualidade” dos nossos senadores deixe muito a desejar. É certo que seria utópico sonhar com duas Casas Legislativas apinhadas de luminares, mas ao menos poderíamos eleger, para variar, alguns políticos razoavelmente instruídos, honestos, bem-intencionados e dispostos a usar o poder para servir, e não para se servir.

O criminoso Lula, quando ainda não se sabia do que ele seria capaz, recebeu de FHC um país com trajetória de estabilidade e pronto para decolar. Fez coisas boas, notadamente nas áreas fiscal e monetária, mas rapidamente perdeu a mão. Mesmo assim, encerrou seu segundo mandato com a popularidade nas alturas, o que lhe permitiu eleger Dilma sua sucessora ― seguramente a pior das escolhas que o molusco abjeto fez em toda sua vida política, tanto para o país quanto para si próprio.

Michel Temer conspirou para derrubar a presidanta imbuído do propósito de recolocar o Brasil nos trilhos, mas cercou-se de corruptos. Para piorar, jamais teve apoio popular e desde sempre lhe sobraram abacaxis ― entre os quais, sabe-se agora, os fantasmas da sua vida pregressa. Mas não lhe faltará tempo para refletir sobre isso depois que deixar a presidência e for chamado a prestar contas à Justiça.

Para que o país volte a crescer de maneira sustentável, o próximo presidente terá de abrir a economia ― que ainda é relativamente fechada ―, fazer a reforma tributária e uma reforma trabalhista de verdade. Isso sem mencionar a Previdência, que deve ser tratada como prioridade zero, pois, como toda medida impopular, deve ser levada a efeito logo no início do mandato, quando o político dispõe do aval das urnas, da boa vontade dos congressistas e do apoio da sociedade.

Infelizmente, essa é uma tarefa para a qual nenhum dos mais de 20 pré-candidatos parece minimamente preparado, sobretudo Bolsonaro ― comparado a quem Donald Trump se torna o obelisco da normalidade ― e a sonhática Marina Silva, que figuram, respectivamente, como primeiro e segundo colocados nas pesquisas de intenção de voto sem o nome de Lula (o sevandija de Garanhuns é carta fora do baralho, pouco importa que o PT o mantenha nas pesquisas e pretenda insistir em sua candidatura até o último instante).

Resumo da ópera: Embora a possibilidade se torne menor a cada dia, ainda pode despontar no horizonte um político de centro-direita, carismático, com credibilidade, que não esteja envolvido em corrupção e que se destaque pela capacidade de execução. Mas de nada adianta encontrar essa mosca-branca-de-olho-azul se não elegermos parlamentares aptos a construir uma legislação mais moderna e dinâmica, que atraia e dê confiança aos investidores internacionais. Alguns dirão que é mais provável que o eleitorado repita o padrão dos pleitos de 2006, 2010 e 2014, quando o nordeste votou em peso nos candidatos de esquerda, e o centro-sul, com destaque para São Paulo, optou pelos candidatos tucanos. Mas a esperança é a última que morre.

Que Deus nos ajude.

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SINTOMAS DE INFECÇÃO EM SMARTPHONES ― 3.ª PARTE


DE NADA ADIANTA VOCÊ SE PREOCUPAR COM AQUILO QUE NÃO TEM COMO CONTROLAR.

Após reiniciar o smartphone no Modo Seguro, abra o menu de Configurações, selecione a opção Aplicativos e certifique-se de que todos os apps estejam sendo exibidos (se houver uma aba que permita visualizar somente os programinhas que você baixou, tanto melhor).

Puxe pela memória e veja se consegue associar o comportamento estranho do seu telefone com a instalação de um aplicativo específico. Se não for possível, navegue pela lista e veja se identifica algo estranho, que não deveria estar ali ou que você não tenha certeza de ter instalado. Toque no programinha suspeito para abrir a sua página de informações e então selecione a opção Desinstalar.

Via de regra, isso é tudo que você precisa fazer para remover o vírus, mas pode acontecer de o botão Desinstalar estar desabilitado ― o que geralmente ocorre quando o vírus concede status de administrador para ele próprio. Nesse caso, saia do menu Aplicativos, torne a tocar em Configurações e, no campo Segurança, toque em Administradores do dispositivo para visualizar a lista dos apps com status de administrador, desmarque a caixa do item que você deseja remover e, na tela seguinte, toque em Desativar.

Volte então ao menu Aplicativos, desinstale o programinha em questão (o que excluirá também o código malicioso), reinicie o aparelho no modo normal e veja se ele agora está funcionando direitinho. Caso afirmativo, faça um backup de todos os seus dados, especialmente os mais importantes e/ou de difícil recuperação, instale uma ferramenta antimalware confiável e toque a vida adiante. Se nem assim o problema foi resolvido, o jeito será restaurar as configurações originais do aparelho, mas isso é assunto para a próxima postagem.

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quarta-feira, 23 de maio de 2018

MICHEL TEMER E O BRASIL QUE VOLTOU 20 ANOS EM 2



Com João Santana e Mônica Moura indisponíveis temporariamente, o presidente Temer encomendou a Edinho Mouco um slogan alusivo ao segundo aniversário do seu governo.

Ao buscar inspiração no bordão de Juscelino Kubitschek ― “50 ANOS E EM 5” ―, o marqueteiro chapa-branca saiu-se com o “O BRASIL VOLTOU, 20 ANOS EM 2”, sem atentar para o fato de que a quase insignificância da vírgula, perdida no meio da sentença, produziria o efeito contrário ao pretendido, ou seja, não passaria a ideia de avanço, mas de retrocesso.

O "samba do marqueteiro doido" foi mais um prego no caixão de um governo moribundo, comandado por um Zumbi que ainda fala (ou falava) em disputar a reeleição.

Não se nega que o país melhorou com a deposição da anta vermelha ― que no final de 2015 era uma presidente encurralada, sem autoridade, sem nexo e sem respeito. Nem tampouco que a PEC do teto dos gastos e a reforma Trabalhista foram conquistas importantes. Mas faltou a Previdência, cuja reforma foi adiada sucessivamente porque o governo não tinha (e não tem) cacife político para aprová-la, sobretudo em ano eleitoral. Sem alternativa, Temer mudou de estratégia e decretou a intervenção militar no Rio de Janeiro ― onde os moradores já não são chamados de habitantes, mas de sobreviventes ―, e a PEC da Previdência foi mandada para as calendas, para o espaço, para a ponte que partiu.

Observação: Em 2015, tínhamos também um presidente da Câmara descrito como homem de poderes sobrenaturais (que não o livraram da cassação e da cadeia), um vice-presidente decorativo e um ex-presidente que posava de gênio da política, sempre prestes a “virar o jogo” mediante conchavos milagrosos (e que hoje responde a 7 ações criminais e está cumprindo pena em Curitiba).

Depois que o vice decorativo passou a titular, a economia deu sinais de recuperação: a inflação e a taxa básica de juros recuaram, os índices de desemprego pararam de crescer e reformas importantes para o país começaram a avançar. Mas o tal ministério de notáveis se revelou uma quadrilha de corruptos, e o presidente reformista dos primeiros meses foi abatido em seu voo de galinha por Joesley Batista. O resto é história recente.

Os “sucessos” alcançados nestes dois anos de governo não são tão expressivos quanto a propaganda oficial quer fazer crer. Dentre os alegados ganhos (clique aqui para conferir a lista completa), destacam-se a retoma do crescimento do PIB, a redução da inflação, a liberação das contas inativas do FGTS, a antecipação do saque do PIS-PASEP, a reversão da escalada do desemprego, a Bolsa Família com fila de espera zerada, e por aí vai. Mas os fatos são teimosos e insistem em desautorizar versões mais tendenciosas. Senão, vejamos:

Após terminar 2017 com alta de 1%, o PIB voltou a apresentar retração, puxado pelo mau desempenho da indústria e do setor de serviços;
 Depois de recuar no final de 2017, a taxa de desocupação cresceu 1,3% no primeiro trimestre deste ano, elevando o número de desempregados a 13,7 milhões;
― A despeito dos juros mais baixos e da melhora na oferta de crédito, a construção civil continua patinando (a capacidade ociosa no ramo beira os 40%);
― A indústria também apresenta retração: o fechamento do primeiro trimestre acuou queda de 0,1%, contrariando as expectativas, que eram de 0,5% de alta;
― O setor de serviços, que representa 70% do PIB, caiu 1,5% no primeiro trimestre de 2018 (em comparação com o mesmo período do ano passado);
― Até o ramo de transportes, que costumava ter bom desempenho em períodos de crise, recuou 0,8% no trimestre ― o pior resultado da série histórica.
― Os endividados no Brasil somam, hoje, um recorde de 61,2 milhões, segundo a SERASA ― a principal razão é a inadimplência no cartão de crédito.

Como desgraça pouca é bobagem, Temer deve ser alvo de uma terceira denúncia. E desta vez a balela de revanchismo não cola mais ― se é que algum dia colou ―, pois Raquel Dodge foi escolhida pelo próprio presidente para substituir Janot no comando da PGR

José Yunes, ex-assessor e amigo de Temer há mais de 40 anos, e o coronel PM reformado João Batista Lima Filho, que está mais para laranja do que para lima, respondem a ação penal por participar da organização criminosa que atuava na CEF e em outros órgãos públicos. Eles foram presos no dia 29 de março por ordem do ministro-relator do caso, Luís Roberto Barroso (e libertados na madrugada do dia 1º de abril, depois de prestarem depoimento). 

O ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures o “homem da mala” ― virou réu no final do ano passado e acabou em cana. Geddel Vieira Lima, unha e carne com o presidente, também foi parar na cadeia depois que a PF encontrou R$ 51 milhões em dinheiro vivo no apartamento que ele usava como “bunker” ― semanas atrás, o gorducho virou réu no STF por lavagem de dinheiro e associação criminosa, juntamente com o irmão, o deputado Lúcio Vieira Lima, e a mamãe metralha, dona Marluce.

Uma das filhas de Temer afirmou, em depoimento, que não guardou os recibos da obra de R$ 700 mil realizada em sua casa, que não se lembra do nome das empresas contratadas e que, a mando de seu pai, procurou o coronel Lima (sempre ele), para acompanhar a reforma.

Observação: O coronel Lima é uma espécie de faz tudo de Temer há 4 décadas, e há quase 2 anos evita prestar depoimento. “Muito doente”, o militar reformado entrou de cadeira de rodas na carceragem da PF e se negou a falar, mas saiu de lá andando normalmente ― e debaixo de chuva.

O depoimento da filhota Maristela pode não ter incriminado o papai Michel, mas não afastou as suspeitas que pesam sobre ele. É por isso, mas não só, que o emedebista desistiu de se candidatar à reeleição (aliás, com míseros 7% de aprovação popular, concorrer seria uma temeridade).

Falando em eleições, a cinco meses do pleito o cenário continua nebuloso: sobram candidatos, mas falta estímulo para o eleitorado (mais de 40% dos pesquisados se dizem indecisos ou propensos a votar em branco ou anular o voto). A polarização da política resultou na descrença generalizada em relação aos políticos e abriu espaço para “outsiders”, que o eleitor vê como tábua de salvação e se agarra a ela, mas afunda na primeira onda.

Mais detalhes na próxima postagem.

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SINTOMAS DE INFECÇÃO EM SMARTPHONES ― 2ª PARTE


MEIAS VERDADES SE TORNAM BOAS MENTIRAS POR TEREM SIDO TEMPERADAS COM FATOS REAIS.
Diferentemente do que se verifica em desktops e notebooks, nos smartphones a infecção decorre principalmente da instalação de aplicativos contaminados, daí ser recomendável baixar os programinhas somente do Google Play ou de repositórios confiáveis ― isso não garante 100% de segurança, mas minimiza os riscos de instalar gato por lebre. E antes de baixar um app qualquer, vale fazer uma pesquisa no Google para saber exatamente o que o programinha faz, bem como ler avaliações feitas por sites especializados e ver se outros usuários não relataram problemas com o aplicativo em questão.

A maioria das ferramentas de proteção para o sistema Android oferece módulos de manutenção, que limpam a memória RAM, otimizam a execução dos apps, gerenciam o consumo da bateria, e por aí vai. E recomendável, portanto, instalar um programinha desses, mantê-lo atualizado e executar regularmente varreduras por demanda ― procedimento que não costuma levar mais do que alguns minutos.

Se mesmo com um arsenal de defesa ativo e operante seu smartphone der sinais de infecção (como as que a gente discutiu no post anterior), a reversão do sistema às configurações originais solucionará o problema. Mas não chute o pau da barraca antes de tentar algumas medidas menos invasivas, começando por reiniciar o aparelho.

Se isso não resolver, atualize seu antimalware e faça uma varredura completa. Se nada for encontrado, experimente substituir a ferramenta por outra (como dito, há diversas opções gratuitas para download no Google Play Store) e proceda a uma nova varredura.

Se nem assim resolver, o jeito será reiniciar o telefone no Modo Seguro, pois isso impedirá que aplicativos de terceiros ― aí incluídos eventuais códigos maliciosos ― rodem no aparelho. Para acessar o Modo Seguro, mantenha pressionado o botão físico de ligar o dispositivo até que apareça o diálogo com a opção “Desligar”. Pouse o dedo sobre ela e mantenha-o pousado até que a opção “Reiniciar no modo de segurança” seja exibida. Toque então em “OK” para confirmar e aguarde a reinicialização do sistema.  

Observação: Se esse roteiro não funcionar no seu aparelho, consulte o manual do usuário ou recorra ao Google para saber como proceder no seu caso específico).

Quando o Android reiniciar, os dizeres “Modo Seguro” serão exibidos no canto inferior esquerdo da tela. Nessa modalidade de inicialização, como dito linhas atrás, apps de terceiros são impedidos de rodar, e o mesmo se aplica a eventuais programinhas maliciosos. Claro que não faz sentido você ficar usando eternamente o smartphone no modo seguro, mas para não estender demais este texto, veremos na próxima postagem o que você deverá fazer em seguida.

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terça-feira, 22 de maio de 2018

DEU MADURO ― ALGUÉM DUVIDAVA?



No último domingo, com 5.823.718 votos (92,6% dos votos contados e 46,01% de participação), o presidente da Venezuela se reelegeu para mais 6 anos de mandato. Henri Falcón e Javier Bertucci, seus opositores, contabilizaram 1.820.552 e 952.000 votos, respectivamente. Deu Maduro. Alguém duvidava?

Em seu discurso, o tiranete de merda ― que ascendeu à presidência em março de 2013, com a morte de Hugo Chávez, e vem demolindo o país desde então ― prometeu trabalhar para recuperar a economia. Esse é Maduro. Alguém acredita nele? Talvez Dilmanta Rousseff, Gleisi Hoffmann, Lindbergh Faria e outros anormais vermelhos (volto a essa questão mais adiante).

Henri Falcón ― o único adversário real de Maduro ― declarou, minutos antes do anúncio do resultado, que recebeu 900 denúncias de irregularidades e, portanto, exigia a convocação de novas eleições. Ele ressaltou a presença dos chamados “pontos vermelhos” ― núcleos de ativismo e proselitismo político, proibidos por lei, que as organizações chavistas instalaram a 200 metros dos locais de votação, e inclusive dentro deles, sob total consentimento do Conselho Nacional Eleitoral.

Maduro foi, segundo ele próprio, “o primeiro votante da pátria (...) sempre em primeiro nas batalhas pela nossa soberania, pelo direito à paz”. Além da União EuropeiaArgentina, Brasil e Chile declararam que não reconhecerão as eleições presidenciais venezuelanas ― que o secretário de Estado dos Estados Unidos classificou de “fraudulentas”.

Essa é a democracia sonhada por alguns próceres petistas, como a tresloucada presidente nacional do PT, que, sempre é bom lembrar, é ré na Lava-Jato e está às vésperas de ser julgada no STF. Aliás, esse esbirro vermelho defende Lula com unhas e dentes, mas decepcionou seu idolatrado líder por não ter cumprido a promessa de “parar o Brasil”, mesmo que não arrede pé de Curitiba. O mais curioso é que, como senadora, a loirinha do nariz arrebitado embolsa trinta e tantos mil reais por mês de salário ― mais penduricalhos e mordomias ― para representar o Estado do Paraná no Senado Federal, e eu não vejo como isso pode incluir sua participação no patético “bom dia, Lula”, que algumas centenas de militantes-mortadela promovem todas as manhãs para puxar o saco do molusco abjeto, que está preso há quase dois meses na sede regional da PF.

Voltando à Venezuela, um estudo sobre as condições de vida no país deu conta de que o peso médio dos habitantes recuou 11 quilos no ano passado, devido à escassez de alimentos no país, e que 87% da população vive atualmente na pobreza (para saber mais, clique aqui). Segundo a Caritas ONG ligada à Igreja Católica que produz o indicador desde 2016 ―, 65% das crianças venezuelanas entre zero e 5 anos apresentam sinais de má nutrição e 16% brigam com a desnutrição severa. 

Obter comida, remédios e produtos de limpeza naquele país é um desafio diário, mesmo para quem tem dinheiro para comprá-los. Oito de cada dez lares venezuelanos ora têm, ora não têm comida, depois que a produção de alimentos consumidos no país caiu de 70% para 30%. Quando o petróleo ainda jorrava, o então presidente Chávez gastou por conta, e a pobreza retrocedeu de 50% para 30%, segundo dados do Banco Mundial. Sob Maduro, o preço do barril despencou e o bolívar virou pó diante do dólar (aliás, sua excelência o presidente já avisou que não vai pagar ao Brasil a dívida de quase 1 bilhão de reais que contraiu durante os governos petistas).

Dentifrício, sabonete e desodorante custam, em Caracas, de duas a três vezes o salário mínimo. Lá, um médico ganha 8 dólares por mês ― o mesmo que um professor universitário. Desde que a crise mostrou sua face mais cruel, a partir de 2014, cerca de 12% da população (4 milhões de venezuelanos) deixaram o país. Destes, 70 mil vieram para o Brasil, e destes, os 40 mil mais pobres se abancaram em Roraima.

E o pior é que é esse o governo que alguns petistas e seus irremediáveis seguidores veem como ideal (que Deus nos livre e guarde desses ignorantes, e que eles sejam urgentemente internados num manicômio).     

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SINTOMAS DE INFECÇÃO EM SMARTPHONES


A MENTE FINITA NÃO PODE APREENDER O INFINITO, MAS TUDO NO UNIVERSO REJEITA O NADA. SUGERIR UM TÉRMINO É O ÚNICO ABSURDO QUE EXISTE.

Há tempos que o smartphone passou a ser mais usado que o computador convencional para acessar a internet, não só por ser pequeno, leve e estar sempre à mão, mas também pelas facilidades do Wi-Fi e da rede móvel (3G/4G). No entanto, como todo dispositivo comandado por um sistema operacional, ele é suscetível ao malware (vírus, spyware e outros códigos maliciosos).

Na plataforma PC, o Windows é o sistema mais visado pelos cibercriminosos; nos smartphones, o alvo é o Android ― que conta com 76% da preferência dos usuários (contra 19% do iOS).
Sintomas de infecção podem ser facilmente confundidos com problemas que nada têm a ver com códigos maliciosos. Um bom exemplo é o aquecimento anormal do aparelho, que pode resultar tanto do uso intenso de seus recursos ― quando o usuário assiste a um vídeo ou atualiza os aplicativos, por exemplo ―, quanto da ação de programinhas maliciosos. Portanto, se a temperatura não voltar ao normal depois que a exibição do vídeo ou a atualização dos apps tiver terminado, ponha as barbichas de molho.

Outro bom exemplo é uma lentidão anormal: embora todo aparelho eletrônico sofra com a passagem do tempo, a degradação do desempenho é progressiva; quando a lentidão se manifesta de hora para outra, é porque algo deve estar errado.

O mesmo se aplica ao aparelho que, do nada, adquire "vontade própria". Olho vivo se seu telefoninho alterar configurações de brilho da tela, sons, alertas de mensagens, perfil de fonte e outras que tais, sem que você tenha feito esses ajustes, ou se a autonomia da bateria diminuir sensivelmente (quando a carga baixa mais rapidamente do que de costume, é porque mais processos estão sendo executados em segundo plano, o que sugere infecção por malware).

Com o aumento da oferta de sinal Wi-Fi em shoppings, lojas, consultórios, salões de beleza etc., os usuários só recorrem ao plano de dados quando não há alternativa. Mas fique atento ao seu consumo de dados ― um consumo anormal indica atividade sub-reptícia, como quando um malware usa sua rede móvel (3G/4G) para enviar pacotes de informações a um servidor.

A maioria dos aplicativos gratuitos sobrevive da propaganda, e a exibição de anúncios é esperada. Mas se a página inicial do seu navegador apontar para websites estranhos, ou se você digita o endereço de um site e a página que se abre não tem nada a ver com o comando, ou, ainda, se os apps que você usa regularmente passam a oferecer produtos e serviços que você jamais pesquisou (notadamente de cunho pornográfico ou ilegal), barbas de molho.

Amanhã a gente continua.

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segunda-feira, 21 de maio de 2018

UMA GUERREIRA LAVA A ALMA DAS BRASILEIRAS OPRIMIDAS PELO CRIME



A cabo da Polícia Militar Kátia da Silva Sastre é uma heroína das mulheres brasileiras. No último sábado, em defesa da filha que tinha ido buscar na escola, de outras meninas que saíam com ela e das mães que as esperavam na calçada, matou com três tiros um bandido que apontava uma arma de fogo contra as crianças e mulheres. Foi uma cena que só se vê em série de TV americana, onde a polícia age sempre com heroísmo, competência, respeito à lei e boa pontaria. Kátia não errou nenhum dos três tiros que disparou do revólver que sacara da bolsa.

Com o assaltante caído no chão, depois de atirar nela duas vezes, deu-lhe voz de prisão e afastou com o pé, para fora do seu alcance, a arma que ele havia apontado para as meninas e suas mães. Em seguida, mantendo o criminoso imobilizado no chão, esperou pela chegada da polícia. Levado para o hospital, o sujeito morreu uma hora e tanto depois.

A cena, gravada em vídeo pelas câmeras de segurança instaladas no lugar, está à disposição de todos, a qualquer momento, pelo Google ou o YouTube. Logo saiu da grande periferia de São Paulo e passou a correr o Brasil pela internet ― é possível que tenha ido ainda além. Qual a surpresa? O ato da policial da PM paulista foi um desses casos claros e raros de vitória absoluta do bem sobre o mal. É o tipo do episódio pelo qual torcem nove entre dez brasileiros exaustos com a praga dos assaltos, com a crueldade demente dos bandidos ou com a humilhação de se verem toda hora obrigados a deitar no chão para tentarem sobreviver aos tiroteios nas “comunidades”. É o dia em que o monstro perde dia de lavar a alma para os milhões de cidadãos decentes que sofrem a opressão diária dos criminosos e só têm guerreiras como a cabo Kátia para arriscar a vida em sua defesa.

Para completar, o caso aconteceu justo na véspera do Dia das Mães. A imagem da mulher sem medo, defendendo de arma na mão as crianças e mães aterrorizadas sob a mira do bandido, ficará por longo tempo no pensamento de quem padece a angústia diária, sem descanso, de não saber se hoje os filhos vão voltar vivos da escola. Para todas essas mães, enquanto houver Kátias haverá alguma esperança.

Não é nenhuma surpresa, naturalmente, que nenhum de todos esses “movimentos femininos” que vivem de denunciar a “violência contra as mulheres” tenha dito uma única palavra em apoio a Kátia Sastre. Seu ato de heroísmo não existiu, simplesmente. Na verdade, a moça terá sorte se não acabar sendo denunciada, ou algo assim, por essas “lideranças” que estão todos os dias nas primeiras páginas e nos horários nobres.

Kátia não é negra, nem lésbica, nem favelada, nem líder comunitária, nem do PSOL-PCdoB-PT. É mãe de família, policial e vai buscar a filha na escola, como milhões de outras. Ou seja, é o tipo da pessoa detestada nesse ambiente e amada pela massa dos cidadãos, o que só comprova mais uma vez o quanto os movimentos “populares”, na vida real, se afastam do povo.

É o mesmo que acontece nos meios de comunicação, onde o bandido foi descrito como “suspeito” do assalto, embora tenha sido filmado, com o máximo de clareza, apontando o seu revólver para a cabeça de uma menina de seis ou sete anos de idade. Também foi chamado de “rapaz”. Assim: “O rapaz foi atingido com três tiros”. Rapaz?

A preocupação central, como sempre acontece, é saber se a policial se excedeu ao atirar no criminoso que tinha atirado duas vezes nela, ou se a sua atitude não poderá incentivar a “letalidade” da polícia. Foram buscar a opinião de “criminalistas” para medir os prós e contras da questão como se houvesse contras. É provável que passem a exigir, junto com as alas “militantes” do Ministério Público, uma apuração rigorosa do gesto da mãe que enfrentou o bandido. Cada vez mais, junto com os “movimentos” feministas e outros bichos parecidos, se descolam da realidade e se colocam como adversários do povo brasileiro.

Por J.R. Guzzo

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MAIS SOBRE SENHAS E SEGURANÇA NA WEB


COLOQUE SUA MÃO SOBRE UMA CHAPA QUENTE POR UM MINUTO, E LHE PARECERÁ UMA HORA. FIQUE COM UMA GAROTA BONITA POR UMA HORA, E LHE PARECERÁ UM MINUTO. ISSO É A RELATIVIDADE.

Toda corrente tem seu elo fraco, e geralmente é ele que se parte. Para evitar que suas senhas sejam “o elo fraco da sua corrente de segurança na Web”, confira 5 dicas elementares, mas comprovadamente eficazes: 

1 ― Procure criar senhas seguras (isto é, difíceis de serem “quebradas”) e dosá-las de acordo com o que elas devem proteger ― é importante evitar acesso indevido a sua conta de email, mas seus problemas poderão ser bem maiores se alguém acessar sua conta bancária.

Observação: Para saber como criar senhas seguras, acesse essa página da MCAFEE ou recorra ao serviço MAKE ME A PASSWORD; para testar a segurança de suas senhas, acesse a CENTRAL DE PROTEÇÃO E SEGURANÇA DA MICROSOFT ou o site HOW SECURE IS MY PASSWORD.

2 ― Dada a quantidade cada vez maior de senhas que somos obrigados a memorizar, é tentador repetir a mesma senha para os mais variados fins. Isso deve ser evitado, naturalmente, sob pena de enfraquecer significativamente sua “corrente”. Se você tiver dificuldade para memorizar suas senhas, recorra a um gerenciador ― sugiro o Avast Password Manager, que pode ser baixado e usado gratuitamente, mas você só terá acesso a recursos adicionais muito úteis se optar pela versão premium.

3 ― Sempre que ouvir falar em vazamentos de senhas relacionados com aplicativos ou webservices que você utiliza, altere imediatamente suas passwords. Simples assim.

4 ―  Use a autenticação em 2 passos (ou etapas, ou fatores) sempre que estiver disponível. Isso impedirá alguém que descubra sua senha de acessar sua conta, a menos que roube também seu smartphone.

5 ― Use uma VPN, sobretudo ao se conectar utilizando redes Wi-Fi públicas; ao selecionar as questões de segurança durante a criação de uma conta, escolha opções difíceis de adivinhar e para as quais apenas você saiba a resposta; jamais envie mensagens de texto com senhas e, por último, mas não menos importante, instale uma boa suíte de segurança e mantenha-a atualizada ― bem como os demais softwares instalados no seu PC, a começar pelo sistema operacional.

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domingo, 20 de maio de 2018

AS ENTRANHAS DO SUPREMO E AS ATROCIDADES DE GILMAR MENDES



Dando sequência ao o “tour” iniciado na última quinta-feira, chegamos ao gabinete de Gilmar Mendes, no 5.º andar do anexo II do prédio do STF. O ministro é o único remanescente das nomeações feitas pelo ex-presidente FHC, depois que Nelson Jobim e Ellen Gracie se aposentaram. Formado em Direito pela Universidade de Brasília, com doutorado na Alemanha e uma breve passagem pelo Itamaraty, ele ostenta, talvez, uma das mais sólidas formações entre a composição atual, mas se destaca mesmo é por sua belicosidade ― os embates que travou com Joaquim Barbosa e Marco Aurélio entraram para a história do STF, as recentes rusgas com Luís Roberto Barroso vêm superando as expectativas e suas decisões escalafobéticas disputando, dia sim outro também, espaço na mídia com os boletins do tempo e a cotação do dólar.

Em sua suposta “cruzada” contra as prisões alongadas da Lava-Jato, o superministro tem concedido habeas corpus a criminosos como Jacó Barata, Anthony Garotinho, Joesley Batista, José Dirceu e Roger Abdelmassih (apenas para ficar nos mais notórios). Só mesmo uma patologia jurídica explica essa sua determinação em contrariar o senso comum e desafiar os colegas com decisões monocráticas, como as que tomou na última semana ao mandar soltar Paulo Preto ― ex-diretor da Dersa que desviou R$ 113 milhões para paraísos fiscais ― e Milton Lyra ― lobista apontado como operador do MDB, e, no apagar das luzes da sexta-feira, mais quatro suspeitos de fraudar fundos de pensão e presos na Operação Rizoma.

A vocação para laxante e a propensão a afrontar o colegiado rendeu a Gilmar Mendes, somente no ano passado, meia dúzia de pedidos de impeachment. Desses, dois foram mandados para o arquivo por Eunício Oliveira antes mesmo que tivessem qualquer tramitação, e os demais, aí incluído o que foi respaldado num abaixo-assinado virtual com 1,7 milhão de apoios, dormitam nas gavetas da presidência do Senado. Semanas atrás, o jurista Modesto Carvalhosa protocolou mais um, mas cabe ao Senado julgar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, e como o número de parlamentares que já foram ou estão prestes a ser denunciados por práticas pouco republicanas não para de crescer, o ministro está pouco se lixando, confiante de que os pedidos continuarão sendo engavetados (ao menos até a próxima legislatura).

As recorrentes trocas acaloradas de opinião entre o Gilmar Mendes e Luiz Roberto Barroso chamam a atenção tanto pela virulência quanto pela circunstância ― inédita, pelo menos até onde a vista alcança ― de um membro da Suprema Corte tratar um colega por “você” (“me deixa de fora desse seu mau sentimento; você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia”, disse Barroso a Mendes).

Há uma cizânia no STF, e o fator desencadeador é a Lava-Jato, que provocou a ruptura em três níveis: o primeiro no piso térreo dos partidarismos, o segundo no piso intermediário da postura dos juízes em face das penas, e o terceiro no alto plano das concepções teóricas. No térreo, a dissenção no tribunal corresponde às dissenções na política e na sociedade. Mendes, Toffoli e Lewandowski são os ministros com currículo e atuação mais ligados à política e aos políticos. O primeiro trabalhou nos governos Collor e FHC e é próximo do governo Temer. O segundo foi consultor da CUT, assessor jurídico da bancada do PT na Câmara e, no governo Lula, subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil e Advogado Geral da União. O terceiro trabalhou junto à administração do PMDB (hoje MDB) na prefeitura de São Bernardo do Campo e no governo de São Paulo, e no julgamento do mensalão fez o contraponto ao rigor do relator Joaquim Barbosa ― nenhum deles admitirá que os vínculos e as preferências políticas interferem em sua atividade, mas é óbvio que eles são pessoas inseridas na sociedade, e como tal portadoras de preferências políticas.

Observação: O terceto fantástico se consolidou contra o que alega ser avanços indevidos e arbitrariedades da Lava-Jato. Ainda que Mendes se declare antipetista e os demais sejam próximas à petralhada, o acordo entre eles é “você salva os meus que eu salvo os seus”. No campo oposto ficam Fachin, Barroso, Fux, Cármen Lúcia e, eventualmente, Rosa Weber ― um grupo que partilha uma comunhão ideológica em prol de uma faxina na política e uma revolução no modo de fazer campanhas, atuar no parlamento e governar. Ambos os lados fazem seus lances de olho no lance seguinte, e Marco Aurélio, Celso de Mello e Alexandre de Moraes oscilam entre um campo outro.

No piso intermediário fica o garantismo ― diz-se garantista o magistrado que garante a liberdade do réu até a dissipação da derradeira dúvida, a exemplo do ministro Marco Aurélio. Também há os garantistas de ocasião, que só o são quando o réu não é de tendência política contrária, mas isso já é outra conversa. No plano mais elevado situam-se as concepções sobre a natureza e o alcance da Constituição e do STF, e os três níveis da discórdia se fazem presentes, misturados, nas votações de 6 a 5 ou, no máximo, 7 a 4 que têm caracterizado o normal das sessões plenárias. Nas duas turmas, calhou de o trio assombro ficar reunido na segunda, deixando Fachin isolado ou, vez por outra, apoiado pelo decano da Corte. Aliás, as turmas ficaram conhecidas por apelidos: a primeira, que absolve sempre, é o Jardim do Éden, a segunda, que condena, é a Câmara de Gás.

Em setembro, Toffoli assumirá a presidência da Supremo (perspectiva assustadora, mas real). Consola o fato de que ele deixará a segunda turma, e Cármen Lúcia, que hoje é a presidente, assumirá seu lugar. Quando nada, a vida do ministro relator da Lava-Jato ficará menos espinhosa.

Haveria muito mais a dizer, mas vejo agora que este texto já superou (em muito) a extensão que eu considero aceitável. Para não cansar ainda mais o leitor, encerro por aqui.

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