domingo, 9 de abril de 2017

INEXISTE SAÍDA FORA DA POLÍTICA: AQUILO QUE COMEÇOU NUMA ELEIÇÃO SÓ TERMINARÁ EM OUTRA.

A patuleia atávica tem investido pesado na divulgação dos “excelentes resultados” obtidos por Lula nas pesquisas de opinião pública, mas não menciona o fato de seu amado líder ser o candidato a candidato com maior índice de rejeição entre os eleitores.

Como eu já comentei em diversas oportunidades, a esquerda incorrigível parece se esquecer de que o petralha prestará depoimento na 13ª Vara Federal de Curitiba no início do mês que vem, e que as delações da Odebrecht, combinadas com uma caudalosa coleção de evidências, apontam para uma provável condenação ― sentença que, se ratificada em tempo hábil na segunda instância, fulminará essa pré-campanha quimérica que visa constranger o judiciário e evitar que o petralha goze longas férias compulsórias na agradável companhia de “cumpanhêros” como Dirceu, Vaccari, Cunha e tantos outros apenados no âmbito da Lava-Jato.

Há quem defenda que a candidatura de Lula ― lançada em março por meio de um manifesto encomendado aos “intelectuais de esquerda de sempre” ―, por motivos que vão de assegurar a soberania do Brasil sobre o pré-sal a “devolver ao país um papel de protagonista no cenário internacional”. Todavia, em sua visão míope, deturpada, ou ambas as coisas, os defensores incondicionais do molusco abjeto não levam em conta que a proverbial “inclusão social” promovida pelo governo petista não passou de mero estímulo ao consumo privado, calcado no aumento do salário mínimo e das aposentadorias em percentuais acima dos da inflação, transferências estatais de renda e expansão irresponsável do crédito.

Em O GLOBO, o sociólogo Demétrio Magnoli pondera que a esquerda entrincheirada nessas políticas sociais desistiu de suas utopias desastrosas (socialismo), mas não aderiu à utopia possível da inclusão por meio do desenvolvimento econômico (produtividade) e da qualificação dos direitos sociais (educação, transportes, reforma urbana). Lembra ainda que a “idade de ouro” do lulopetismo apoiou-se numa singular conjuntura internacional que não se repetirá, e argumenta que o Brasil precisa da candidatura de Lula para derrotar, pelo voto, a fé anacrônica no paternalismo estatal, no capitalismo de compadrio.

Sob Lula e Dilma, prossegue o colunista, a “soberania sobre o pré-sal, suas terras, sua água, suas riquezas” significou a montagem de um capitalismo de Estado organizado como aliança das empresas estatais com conglomerados privados de “amigos do rei”, que resultou no maior escândalo de corrupção registrado na história brasileira. Nos governos lulistas, o “papel ativo” do Brasil no cenário internacional materializou-se, principalmente, na fracassada obsessão por uma cadeira de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU e na aliança com o castrismo, o chavismo e o kirchnerismo. A esquerda que clama pela volta do ex-presidente abdicou do sistema econômico socialista, mas continua seduzida pelo monopólio do poder por um “partido dirigente”. A catástrofe venezuelana não merece uma linha de protesto dos fabricantes de manifestos.

Lula é um pragmático, não um ideólogo. A utopia política de Lula resume-se ao poder de Lula — como sabem perfeitamente os quadros petistas e até mesmo os signatários do manifesto pela sua candidatura. Contudo, as circunstâncias e os acidentes históricos preencheram o seu pragmatismo com uma série de marcadores ideológicos. Lula converteu-se em representação de um Brasil que se recusa a romper com o passado e de uma esquerda hipnotizada por utopias regressivas de segunda mão. O ciclo lulista começou com um maiúsculo triunfo eleitoral que parecia, aos olhos da maioria, inaugurar uma era redentora. A curva de declínio, nos mandatos de Dilma, consubstanciada no impeachment, atestou uma falência política de fundo, uma depressão econômica de proporções inéditas e total desmoralização das instituições públicas, envenenadas pela corrupção. Contudo, como revelam as sondagens eleitorais, a queda drenou apenas parcialmente o pântano das ilusões. O Brasil, reafirma Magnoli, não se livrará delas enquanto não tiver a oportunidade de confrontá-las na arena do voto.

Ninguém tem o privilégio de pairar acima da lei. Lula não deve ter prerrogativas negadas a Marcelo Odebrecht, Sérgio Cabral ou Eduardo Cunha. O papel desempenhado por ele nas teias de corrupção do “Estado-Odebrecht” precisa ser examinado pelos tribunais. Os juízes, espera-se, terão a coragem de ignorar a programada intimidação de hordas de militantes, julgando o ex-presidente segundo os códigos legais. Mas apressar os ritos processuais e fazer de Lula um “ficha-suja” ofereceria ao lulopetismo um santuário inexpugnável. O Brasil precisa, enfim, mirar-se no espelho. Inexiste saída fora da política: aquilo que começou numa eleição só terminará em outra.

EM TEMPO: O molusco abominável e seu malfadado lulopetismo assombram a nação brasileira como um egun mal despachado, e precisam ser exorcizados o quanto antes. É como na história do sujeito que, ao saber do falecimento da sogra e ser consultado sobre o que seria melhor fazer ― sepultá-la ou cremá-la ―, respondeu prontamente: “vamos cremar e depois enterrar as cinzas; afinal, com essa velha não se brinca”. Torçamos, pois, pela tão esperada sentença condenatória e consequente prisão dessa calamidade o quanto antes. Considerando a “qualidade” do eleitorado tupiniquim, seria temerário arriscar!

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