segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ELEIÇÕES 2018 ― CENÁRIO SOMBRIO

A um ano das eleições presidenciais, o cenário que se descortina é desolador.

Se 2017 começou com esperança, a morte de Zavascki, as delações da JBS e mais uma sequência de eventos deploráveis ― dentre os quais o envolvimento do presidente em atos nada republicanos ― demonstraram que teríamos mais do mesmo. E se ano antes da reeleição da anta vermelha os políticos foram brindados com gigantescas manifestações populares, o país estava prestes a sediar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, e a Lava-Jato ainda não havia começado a expor a corrupção praticada pelas principais lideranças partidárias e seus apaniguados, agora o quadro é outro: embora a economia dê sinais de recuperação, a crise política se agrava a cada dia que passa.

O impeachment do poste sem neurônios interrompeu o reinado lulopetista, mas não recolocou o país nos eixos ― e nem poderia, já que quem herdou o trono foi o comandante máximo do antro peemedebista, que fez dobradinha com Dilma sob a égide da autodeclarada alma viva mais honesta do Brasil. Em suma, o que se notabilizou neste último ano foi uma presidanta incompetenta penabundada, um presidente tampão denunciado no exercício do cargo e um ex-presidente hepta-réu, condenado ― até o momento ― 9 anos e seis meses de prisão em regime fechado e investigado em pelo menos mais 3 inquéritos. E viva o povo brasileiro!

Observação: Se o escândalo do mensalão ― do qual Lula escapou por um triz ― rebaixou o esquema PC a coisa de amador e o ex-presidente Collor a punguista de feira, o petrolão deu o troco: se, após 7 anos de tramitação, a ação penal 470 condenou 24 sacripantas, dentre os quais ícones petistas do quilate de José Dirceu, José Genoíno e Delúbio, a Lava-Jato, em 3 anos e somente em Curitiba, produziu 213 prisões e 107 condenações, incluindo todo-poderosos como Lula e Eduardo Cunha.

A se darem por confiáveis as pesquisas de opinião pública, Dilma se reelegeu quando seu governo era rejeitado por apenas 22% da população. Durante sua segunda gestão ― ainda mais calamitosa que a anterior ―, os índices de reprovação ao seu governo triplicaram. Às vésperas do julgamento do impeachment, míseros 7% da população apoiavam a dita cuja. Mas sua deposição não foi um golpe de Estado, ao contrário do que afirmam a própria Dilma e os militantes lunáticos que ainda a admiram. A despeito das pedaladas fiscais configurarem crime de responsabilidade, o que pesou na decisão do Congresso foi o conjunto da obra da anta vermelha e, mais do que tudo, a inépcia e a prepotência da dita-cuja no trato com os parlamentares. Nem próprio PT gostava dela, e pouquíssimos congressistas permaneceram solidários durante o julgamento. Sem embargo, num vergonhoso acordo de bastidores ― urdido com o beneplácito do imprestável senador Renan Calheiros e do inominável ministro Ricardo Lewandowski, então presidentes do Senado e do STF, respectivamente ― a tralha foi expulsa da presidência sem perder seus direitos políticos.

Observação: Aliás, foi Lewandowski o eminente jurista que, semanas atrás, mandou para casa (e que Casa; um apartamento de R$ 5 milhões no bairro mais nobre de Sampa) o médico-monstro que estuprou trocentas mulheres e foi condenado a mais de 200 anos de cadeia. E foi Gilmar Mendes quem capitaneou a inominável palhaçada no TSE, que, por excesso de provas, avalizou a roubalheira que ajudou a reeleger a chapa Dilma-Temer em 2014. Como confiar numa Suprema Corte com integrantes dessa catadura?

Temer conseguiu a proeza de ser mais malquisto que Dilma. Segundo pesquisas, 70% da população repudiam seu governo e míseros 5% o avaliam como bom ou ótimo. Mas isso não quer dizer que nos livraremos dele tão já: ao contrário de sua predecessora, o peemedebista tem boa relação com os parlamentares e não se furta a comprar apoio de marafonas do Congresso para barrar processos contra ele no Supremo ― a primeira denúncia foi sepultada em agosto (e nos custou quase R$ 20 bilhões), e a segunda segue pelo mesmo caminho. Acrescente-se a isso o fato de ainda não ter surgido nenhuma liderança com cacife político e respaldo popular capazes de ameaçar sua permanência no Planalto até dezembro do ano que vem. Para Temer, estar totalmente desmoralizado é um mal menor, pois, enquanto ele for presidente, terá direito a foro especial por prerrogativa de função ― ou seja, estará fora do alcance da Lava-Jato e de juízos de primeira instância, onde a tramitação processual é muito mais rápida do que no Supremo.

Resumo da ópera: a menos de um ano das eleições, o cenário não poderia ser mais nebuloso. Segundo o Datafolha, 51% dos pesquisados (que, em tese, representam a maioria do eleitorado) estão em dúvida entre um suposto candidato condenado pela Justiça ― que lidera as pesquisas com inacreditáveis 35% ― e um defensor ferrenho da ditadura militar ― que tem 16% das intenções de voto. Volto a lembrar que treino é treino e jogo é jogo: esses números expressam uma tendência à luz do contexto atual, e muita água vai rolar até de outubro do ano que vem. Bem antes disso, Lula pode ser impedido de concorrer ― basta que o TRF-4 mantenha a condenação no processo do tríplex no Guarujá, que agora ganha novos contornos com a suposta falsificação dos recibos de aluguel; aliás, em se comprovando a fraude, o petralha pode acabar atrás das grandes bem antes do previsto; afinal, se isso não é obstrução da Justiça, então eu não sei o que é.

O que de pior se conclui das pesquisas de opinião é que nossa democracia está agonizante. Parafraseando Josias de Souza, a democracia é o regime em que as pessoas têm ampla e irrestrita liberdade para exercitar sua capacidade de fazer besteiras por conta própria. O brasileiro prefere cometer erros velhos, mas se o equívoco manjado for um crime que leve à inelegibilidade, o eleitorado será forçado a experimentar erros novos.

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