segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O FARSANTE CANDIDATO


Nova pesquisa do Datafolha dá conta de que a popularidade de Lula aumentou, a despeito de o petralha vir colecionando processos (já é réu em 7, foi sentenciado a 9 anos e 6 meses de prisão em um deles e é alvo de outros tantos inquéritos, que certamente resultarão em mais processos). 

Não sei se, ou até que ponto, essas pesquisas são confiáveis, notadamente a um ano das eleições. Aliás, no ano passado, quando todos os institutos davam como certa a presença de Haddad no segundo turno das eleições municipais paulistanas, João Dória ganhou de lavada logo no primeiro ― e agora desponta como virtual candidato à presidência da Banânia, mas isso já é outra história.

Treino é treino, jogo é jogo. Lula tem seu eleitorado cativo e sua militância caninamente fiel. Se ele for flagrado de braço dado com o próprio Demo, essa gente dirá que duas divindades se uniram pelo bem do Brasil, dos pobres, dos desvalidos e da ponte que os partiu.

Lula deixou o Planalto com a popularidade nas estrelas ― tanto assim que conseguiu eleger um poste para sucedê-lo, e o resultado é o que hoje se sabe. Mas ele ainda é lembrado pelos menos esclarecidos como "um bom presidente", até porque seus malfeitos foram descobertos depois que ele deixou o Planalto. Na cabecinha pequena dos humildes e manipuláveis, isso faz muita diferença.

Não se sabe se o sacripanta disputará as próximas eleições e nem se chegará ao segundo turno caso venha a concorrer. Se a condenação imposta pelo juiz Moro for mantida pelo TRF-4 ― o que deve acontecer no primeiro semestre de 2018 ― a Lei da Ficha-Limpa sepultará suas pretensões políticas (a menos que férias compulsórias no Complexo Médico-Penal de Pinhais, em Curitiba, ou no Presídio da Papuda, no DF, contem como projeto político).

Dentre os quase 3.000 pesquisados pelo Datafolha, muitos dos que declararam sua preferência ao petista responderam, na pergunta seguinte, que não votariam em candidatos envolvidos com corrupção. Outros nomes bastante suscitados foram os de Sérgio Moro e do ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa, embora nem um nem outro sejam candidatos a coisa alguma.

Nos bastidores, o PT já vem considerando uma candidatura alternativa (os mais prováveis substitutos de Lula são Fernando Haddad e Jaques Wagner). No entanto, nem mesmo o testemunho de Palocci ― que dá uma boa ideia do que será sua delação ― ou sua carta à presidência do PT levam a militância a rever seus conceitos.
A missiva de adeus, endereçada a Gleisi Hoffman ― a quem Palocci trata por “senhora presidente”, negando-lhe o ridículo tratamento que era obrigado a usar durante o tempo em que foi ministro da anta vermelha ―, torna irreversível seu acordo de delação e, ao pedir sua desfiliação, evita a humilhação de ser expulso da legenda que ajudou a criar.

No texto, o ex-ministro salienta o fato de o PT celebrar delinquentes juramentados, condenar quem admite o próprio envolvimento em patifarias devassadas pela Lava-Jato e atirar ao fogo quem ousa dizer a verdade sobre o partido, que compara a uma seita liderada por liderada por uma pretensa divindade que culpa a finada esposa pelas obscenidades que protagonizou e já não sabe quantos dias tem novembro ou quando agosto termina.

Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do homem mais honesto do país? ― pergunta o autor da “Carta ao Povo Brasileiro”, que ajudou Lula a se eleger em 2002. Somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade? ― questiona Palocci, cujas novas flechadas (leia-se sua delação) ajudarão a colocar na prisão o farsante que, sem emprego regular desde 1978, virou dono de imobiliária clandestina e um dos maiores falsificadores de escrituras desde o primeiro caso de estelionato registrado no Brasil.

Observação: Segundo O Sensacionalista, os que veem fraude nos recibos de aluguel apresentados pela defesa de Lula, por terem sido datados de 31 de junho e 31 de novembro, esquecem-se de que, no governo do PT, as coisas melhoraram a tal ponto que tudo ficou maior, inclusive os meses do ano. Posteriormente, os golpistas desviaram os dias 31 desses meses num complô com fabricantes de calendários americanos, mas a defesa do ex-presidente já convocou o perito Molina para atestar a veracidade dos documentos ― o laudo deve ser concluído até 30 de fevereiro.   

É curioso o modo como funciona a cabeça do eleitorado tupiniquim. Veja o leitor que Bolsonaro se destacou na pesquisa ― aprofundando ainda mais o cenário de terror, já agravado, semanas atrás, pelo pronunciamento estapafúrdio do tal general Mourão, que defendeu abertamente uma intervenção militar no caso de o Judiciário não conseguir expurgar os corruptos do cenário político tupiniquim. Mourão não foi uma voz isolada nem sua fala se deu de forma casual: antes de discursar numa loja maçônica em Brasília, o demiurgo militar havia participado de um encontro do Alto Comando do Exército, que contou com a presença de 16 generais de 4 estrelas, o que torna suas palavras públicas e configura uma violação ao Regulamento Disciplinar do Exército. 

Estranhamente, não houve qualquer punição ao general boquirroto ― o que denota que o governo Temer não tem autoridade moral sequer para passar um pito nos militares. Aliás, desde que assumiu o poder, o peemedebista evita se indispor com as Forças Armadas, como comprova a exclusão dos milicos da reforma da Previdência e do congelamento de salários imposto ao funcionalismo federal. 

Em tese, a situação de Michel Temer ― cujo governo nada mais é do que um terceiro tempo das gestões lulopetistas, já que o peemedebista nunca teria chegado lá se fosse vice de Dilma, e jamais teria sido aceito na chapa sem o beneplácito de Lula ― é uma preocupação mais imediata, pois seu presente define o nosso futuro. Não que haja grandes possibilidades de o presidente ser derrotado na Câmara ― conforme já discutimos noutras postagens ―, ainda que salte aos olhos seu envolvimento em todos os ilícitos denunciados pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot

Enfim, só falta agora o povo sair às ruas em massa para apoiar a intervenção militar ― até porque, convenhamos, a fala de Mourão faz sentido, ou alguém discorda de que, no Brasil, os políticos loteiam tudo quando estão no governo, visando fabricar dinheiro para se locupletarem e bancar suas candidaturas milionárias? Parafraseando o jornalista J.R Guzzo, "o comandante do Exército deu o caso por encerrado, mas isso não faz com que os militares pensem o contrário do que estão pensando ― e o mundo político nunca se esforçou tanto para convencê-los de que estão certos". 

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